quarta-feira, 15 de agosto de 2012

IDÉIAS INATAS


IDÉIAS INATAS
Estudo com base no O LIVRO DOS ESPÍRITOS,
Livro segundo, capítulo IV, Ideias Inatas, qq. 218 à 221.
Obra codificada por Allan Kardec.
Pesquisa: Elio Mollo
15/08/2012
Atualizado em 06/06/2013


As leis da Natureza são as mesmas para todos, assim, todos os homens nascem ou renascem na Terra com um corpo físico. O que comanda o perispírito e o corpo físico é a alma, também conhecida como princípio inteligente ou espírito elementar (1). Temos assim que no mundo espiritual a alma se utiliza do perispírito para as suas ações (2) de acordo com o seu grau de adiantamento. No mundo material a alma, além do perispírito tem um corpo físico para as suas necessidades de aprendizados e provações. Em se tratando da pluralidade das existências ou reencarnação o que renasce não é o corpo e sim a alma. Se o Espírito encarnado perde a lembrança do passado é porque o homem nem pode nem deve saber tudo. Deus na sua sabedoria, lhe colocou uma espécie de véu que lhe encobre certas coisas, assim, sem esse véu o homem ficaria ofuscado, como aquele que passa sem transição da obscuridade para a luz. Pelo esquecimento do passado ele se mostra tal qual ele é. Contudo, ao Espírito encarnado, ainda lhe resta uma vaga lembrança, ou seja, conserva a sua individualidade, o conhecimento do seu eu (3) que lhe dá o que chamamos ideias inatas. (4)

O Espírito sobrevive, mas preexiste ao corpo; não é um ser novo; quando nasce, traz as ideias, as qualidades e as imperfeições que possuía, ou seja, se o Espírito renasce com o desenvolvimento intelectual realizado, a intuição que traz em si é um fundo que o ajudará a adquirir novas ideias (3); assim se explicam as ideias, as aptidões e as tendências inatas. O pensamento é, pois, preexistente e sobrevivente ao organismo. (4)

A teoria das ideias inatas não é quimérica, pois os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem; o Espírito, liberto da matéria, sempre se recorda. Durante a encarnação pode esquecê-los em parte, momentaneamente, mas a intuição que lhe fica ajuda o seu adiantamento. Sem isso, ele sempre teria de recomeçar. A cada nova existência, o Espírito toma como ponto de partida aquele em que se achava na precedente.

Nem sempre há uma grande conexão entre duas existências sucessivas, como podemos imaginar, porque as posições são quase sempre muito diferentes, e no intervalo de ambas o Espírito pôde progredir.

Pode acontecer de o homem conservar, em sua nova existência, os traços do caráter moral das existências anteriores, mas ao melhorar-se ele se modifica. Sua posição social também pode não ser a mesma. Se de senhor ele se torna escravo, suas inclinações serão muito diferentes e teremos dificuldades para reconhecê-lo. O Espírito sendo o mesmo, nas diversas encarnações, suas manifestações podem ter, de uma para outra, certas semelhanças. Estas, entretanto, serão modificadas pelos costumes da nova posição, até que um aperfeiçoamento notável venha a mudar completamente o seu caráter, pois de orgulhoso e mau pode tornar-se humilde e humano, desde que se haja arrependido.

Segundo os indivíduos, há faculdades, aptidões, tendências que se manifestam desde o próprio início da vida, outras se revelam em épocas mais tardias, e produzem as mudanças de caráter e de disposições que se notam em certas pessoas. Neste último caso, geralmente, não são disposições novas, mas aptidões preexistentes que dormitam até que uma circunstância venha estimular e despertar. Pode-se estar certo de que as disposições viciosas que se manifestam às vezes subitamente e tardiamente, tinham seu germe preexistente nas imperfeições do Espírito, porque este, caminhando sempre para o progresso, se for essencialmente bom, não pode se tornar mau, ao passo que, se for mau pode se tornar bom. (4)

 A cada nova existência o Espírito tem mais inteligência e pode melhor distinguir o bem e o mal. Quando o Espírito entra na sua vida de origem, o mundo espírita, toda a sua vida passada se desenrola diante dele; vê as faltas cometidas e que são causa do seu sofrimento, bem como aquilo que poderia tê-lo impedido de cometê-las; compreende a justiça da posição que lhe é dada e procura então a (re)encarnação necessária para reparar a que acaba de escoar-se. Procura provas semelhantes àquelas por que passou, ou as lutas que acredita apropriadas ao seu adiantamento. Contudo, o Espírito encarnado, se não tem, durante a vida corpórea, uma lembrança precisa daquilo que foi, e do que fez de bem ou de mal em suas existências anteriores, tem, entretanto, a sua intuição. Suas tendências instintivas são uma reminiscência do seu passado, às quais a sua consciência, que representa o desejo por ele concebido de não mais cometer as mesmas faltas. A consciência que é onde está escrita a lei de Deus, o adverte que deve resistir de não cometer as mesmas faltas do passado, isto se dá segundo o grau de perfeição a que tenha chegado e conforme a sua capacidade de conservar a lembrança intuitiva. (5)

A origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, como as línguas, o cálculo, etc., é lembrança do passado, ou seja, do progresso anterior da alma, mas do qual ela mesma não tem consciência. Os corpos mudam, mas o Espírito não muda, embora troque a vestimenta.

Com a mudança dos corpos, podem perder-se certas faculdades intelectuais, deixando-se de ter, por exemplo, o gosto pelas artes, desde que se tenha desonrado essa faculdade, fazendo mau uso dela. Uma faculdade pode, também, ficar adormecida durante uma existência, porque o Espírito quer exercer outra, que não se relacione com ela. Nesse caso, permanece em estado latente, para reaparecer mais tarde.

A retrospectiva que um homem pode ter, mesmo no seu estado selvagem, como o sentimento instintivo da existência de Deus, é uma lembrança que ele conserva como Espírito, antes de encarnar, mas o orgulho frequentemente abafa esse sentimento.

Podem ter até a lembrança de certas crenças relativas a doutrina espírita encontradas em todos os povos. Isso pode se dar, porque, esta doutrina é tão antiga quanto o mundo. É por isso que a encontramos por toda parte, e é esta uma prova da sua veracidade. O Espírito encarnado, conservando a intuição do seu estado de Espírito, tem a consciência instintiva do mundo invisível. Mas quase sempre ela é falseada pelos preconceitos, e a ignorância mistura a ela a superstição.

RESUMO:

Tendências inatas são uma espécie de lembrança, percepção e conhecimento que o Espírito encarnado (homem) adquiriu em existências anteriores, mas cuja realidade é combatida por certos homens, desde muito tempo, que pretendem sejam todas adquiridas durante a vida. Se assim fosse, como explicar certas disposições naturais que se revelam muitas vezes desde a mais tenra idade e independentemente de qualquer educação? O Espiritismo lança uma grande luz para esta questão. Sobre estas espécies de tendências a Doutrina Espírita oferece a sua explicação através da pluralidade das existências, assim, os conhecimentos adquiridos pelo Espírito nas existências anteriores se refletem nas existências posteriores através do que denominamos tendências ou ideias inatas. (6) Sendo assim, o estado intelectual e moral do Espírito encarnado, quando criança, é o que era antes da sua união com o corpo, ou seja, a alma possui todas as ideias adquiridas anteriormente, porém, em razão da perturbação que acompanha a mudança, suas ideias estão momentaneamente em estado latente. Elas se esclarecem gradualmente, mas só podem se manifestar proporcionalmente ao desenvolvimento dos órgãos do corpo físico. (7)

Os gênios que se revelam nas classes sociais desprovidas de cultura intelectual, provam que as ideias inatas são independentes do meio onde o homem é educado. O meio e a educação desenvolvem as ideias inatas, mas não a fornecem. O homem de gênio é a encarnação de um Espírito já avançado e que muito progrediu na escala evolutiva. Por isso, a educação pode dar a instrução que lhe falta, mas não pode dar o gênio quando este ainda não existe nele. (8)

NOTAS: 

(1) O espírito (elementar) ou alma é o princípio inteligente do Universo. Assim, é exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente, e a palavra Espírito para o ser semimaterial formado desse princípio e do corpo fluídico. Mas como não se pode conceber o princípio inteligente sem ligação material, as palavras alma e Espírito são, no uso comum, indiferentemente empregadas uma pela outra; é a figura que consiste em tomar a parte pelo todo, da mesma forma que se diz que uma cidade é habitada por tantas almas, uma vila composta de tantas casas; porém, filosoficamente é essencial fazer-se a diferença.  Pelo pensamento, representa-se um Espírito, mas não se representa uma alma. (Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, livro primeiro, questão 23, livro segundo, questão 76; O que é o Espiritismo, Cap. II, item 9, 10 e 14; Revista Espírita de maio 1864, A alma pura de minha irmã Henriette; Revista Espírita de janeiro 1866, O Espiritismo Toma Lugar na Filosofia e nos Conhecimentos Usuais.)

(2) (Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, livro segundo, item 76 e do item 93 e seguintes.

(3) Ver Allan Kardec, Revista Espírita de novembro de 1864, Uma Lembrança de Vidas Passadas.

(4) Ver Allan Kardec, Revista Espírita de março de 1867, Da Homeopatia nas Doenças Morais.)

(5) Ver Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Livro 2, cap. VII, da q. 392 em diante e Livro 3, cap. I, da q. 620 em diante.

(6) Ver Allan Kardec, Instruções Práticas sobre as manifestações Espíritas, Vocabulário.

(7) Ver Allan Kardec, O Que o Espiritismo, cap. III, item 117, O Homem Durante a Vida Terrestre da obra.

(8) Ver Allan Kardec, O Que o Espiritismo, cap. III, item 119, O Homem Durante a Vida Terrestre da obra.

Links das matérias usadas neste estudo:
http://www.aeradoespirito.net/OLivrodosEspiritos/O_LIVRO_DOS_ESPIR_L2_C4_SC9.html

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